Hepatite B e Hepatite D

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A Hepatite B é uma infecção do fígado causada pelo vírus da Hepatite B (VHB) A imagem mostra uma microfotografia electrónica com viriões ou partículas de Dane que constituem a partícula infecciosa, e ainda formas tubulares e pequenas partículas esféricas que constituem o antigénio de superfície.
A prevalência do vírus da hepatite B em Portugal, tal como no resto da Europa, tem diminuindo nos últimos anos. Em Portugal, são portadores do vírus da hepatite B, 1.4% da população. Como somos 10.000.000 de habitantes temos cerca de 140.000 portadores do vírus da hepatite B. Como mostra o mapa, no continente africano a infecção atinge 12% da população.

COMO SE TRANSMITE A HEPATITE B?

O VHB é transmitido principalmente pelo sangue. Como a transmissão pela transfusão de sangue hoje quase desapareceu, a maior parte dos doentes são toxicómanos intravenosos. A transmissão por via sexual é frequente assim como a transmissão vertical (da mãe para o filho).

HEPATITE B AGUDA

Após a transmissão há um período de incubação entre 4 a 20 semanas. A infecção aguda pode causar icterícia ( cor amarela dos olhos e pele ) e outros sintomas: falta de força ( astenia ), falta de apetite ( anorexia ), náuseas, dor abdominal. Com menos frequência do que a hepatite C a hepatite B pode ser assintomática. Dores das articulações e artrites assim como lesões da pele semelhantes à urticaria podem ocasionalmente ser observadas. Se houver suspeitas da infecção o diagnóstico estabelece-se pelos marcadores do vírus da hepatite B: HBsAg, anti-HBs,HBcAg, HBeAg e anti-HBe. Em cerca de 90% dos casos, a hepatite aguda B, é uma doença auto-limitada, evolui para a cura. Após a cura o fígado recupera totalmente e no sangue encontram-se anticorpos que nos indicam que a pessoa teve hepatite B e está imunizada contra esta doença. A imunização é para sempre. Nos recém-nascidos mais de 90% das hepatites agudas B evoluem para hepatite crónica B, mas nos adultos menos de 1% têm tal evolução. Cerca de 5 a 10% dos casos na globalidade e menos de 5% nos adultos, com hepatites B aguda, evoluem para infecção crónica.

HEPATITE B CRÓNICA

Quando o AgHBs continua positivo para além de 6 meses a hepatite diz-se crónica. A infecção crónica é pouco frequente na Europa, Portugal incluído. Os indivíduos com infção crónica podem não ter sintomas ou ter queixas ligeiras e inespecíficas. As dores articulares e lesões semelhantes à urticária podem aparecer. A infecção crónica pode evoluir para hepatite crónica para cirrose e para cancro do fígado. Há alguns factores que podem estar associados à evolução para cirrose: o consumo de álcool é um deles embora seja o risco seja maior no caso de associação ao vírus da Hepatite C -VHC -. Os portadores inactivos têm uma resposta imune eficaz que controla a replicação do virus. Nestes doentes as transaminases normalizam e o ADV VHB é baixo. O prognóstico destes casos é melhor.

EVOLUÇÃO PARA CIRROSE E CANCRO DO FÍGADO

A cirrose pode ser silenciosa durante muitos anos e descobrir-se por acaso. Noutros casos a cirrose manifesta-se por icterícia, hemorragia digestiva, ascite ou cancro do fígado. O vírus da hepatite B é o principal factor de risco para o cancro de fígado (carcinoma hepatocelular) e tem particular significado em zonas do mundo onde a hepatite B ainda é muito frequente: Ásia e África. Em Portugal a Cirrose Alcoólica e a Hepatite B são as causas principais de Cancro do fígado.

COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO?

Existem os marcadores (antigénios e anticorpos) específicos da Hepatite B. Estes marcadores juntamente com o estudo da função do fígado e o tempo de evolução, permitem ao médico, fazer o diagnóstico e estabelecer se está perante uma Hepatite B Aguda, ou uma Infecção Crónica ou se o individuo ou se tem anticorpos contra o VHB e está imunizado porque teve hepatite que curou ou foi vacinado. A interpretação dos marcadores da hepatite B exige experiência e, é frequente, vermos em pânico doentes imunizados, aos quais foi dito, que têm Hepatite B. AgHBs negativo / Anti-HBc negativo / antiHBs negativo Individuo susceptível AgHBs negativo / Anti-HBc positivo / Anti-HBs positivo Individuo imune por ter tido infeção natural AgHBs negativo / Anti-HBc negativo / Anti-HBs positivo Individuo imune por ter sido vacinado AgHBs positivo / Anti-HBc positivo/IgM anti-HBc positivo / Anti-HBs negativo Infecção aguda AgHBs positivo / Anti-HBc positivo/IgM anti-HBc negativo / Anti-HBs negativo Infecção crónica AgHBs negativo / Anti-HBc positivo + Anti-HBs negativo 4 interpretaçõespossíveis: - Recuperação de infecção aguda - Imune com níveis baixos de anti-HBs - Falso negativo anti-HBc - Infeção crónica sem AgHBs

COMO PREVENIR A HEPATITE B

Deve evitar-se a partilha de agulhas e seringas assim como de instrumentos que possam estar contaminados com sangue ( escovas de dentes, instrumentos de manicura, laminas ). Evita relações sexuais de risco, usando preservativo quando necessário. A infecção pela via sexual e por picada acidental é mais frequente do que na hepatite C. O convívio social, beijos, apertos de mão, a partilha de utensílios de cozinha não envolve riscos.

VACINA DA HEPATITE B

Desde o ano 2000 que a vacina da Hepatite B faz parte do Programa Nacional de Vacinação e, por isso temos hoje, uma cobertura nacional superior a 95%. Esquema de vacinação: 1ª dose 2ª dose 1 mês depois 3ª dose 6 meses depois Parece ser desnecessário fazer reforço 5 - 10 anos depois. Se a vacina foi eficaz, como acontece em mais de 90% dos casos no sangue encontram-se anticorpos contra o vírus da hepatite B. É aconselhável fazer a pesquisa no sangue, destes anti-corpos ( anti-HBs ), a partir de 1 mês, depois da última dose da vacina. Imunização passiva: Existe imunoglobulina humana anti-hepatite B - IGHB. Se houve picada com material suspeito de estar contaminado ou após relação sexual suspeita devem administrar-se dentro de 1 - 7 dias IGHB Intra Muscular e deve iniciar-se a vacina noutro local (deltóide) no mesmo momento ou dentro de dias Os recém-nascidos de mães portadoras do vírus da hepatite B fazem IGHB nas 12 horas a seguir ao parto no músculo anterolateral da coxa e, noutro local, a 1ª dose da vacina que se repete aos 1 e 6 meses. A eficácia protectora é superior a 95%. Em Portugal faz-se o despiste de todas as grávidas e a imunização (activa e passiva) de todos os recém-nascidos de mães positivas.

TRATAMENTO

A Heptite B aguda cura sem necessitar de tratamento específico. O repouso justifica-se se houver cansaço. Durante a fase aguda da doença, o estômago pode tolerar mal as gorduras que nesse caso devem suprimir-se, mas só durante esse tempo. A Hepatite B Crónica trata-se com interferão-peguilado. Os anti-virais orais são fármacos ainda em estudo. A decisão do tratamento deve ser tomada em centros especializados, por médicos (geralmente gastrenterologistas ou internistas) dedicados à hepatologia. Apenas uma pequena percentagem de Hepatites B Crónicas curam mas é possível deminuir os riscos: evolução para cirrose e cancro do figado A alimentação dos doentes com Hepatite B Crónica deve ser normal, sem nenhuma restrição. O ÁLCOOL DEVE SER EVITADO.

OUTROS sites SOBRE HEPATITE B:

Em português no site brasileiro, ABS da Saúde: hepatite B Em inglês no site americano Family Doctor: hepatitis B.

HEPATITE D

O vírus da hpatite D (VHD) não existe sem o vírus da hepatite B. 5% dos portadores do VHB estão infectados com o VHD. A infecção pode ser simultânea (coinfeção) ou posterior (superinfeção) ao VHB. A coinfeção agrava a hepatite aguda e a superinfeção pode agravar a hepatite prévia facilitando a evolução para a cronicidade, para cirrose e para cancro do fígado. Nos casos de hepatite tripla (VHB,VHC e VHD) a doença do fígado é muito grave. O diagnóstico faz-se pesquisando os marcadores no sangue: IgM Anti-VHD positivo + AgHBs positivo Infeção aguda IgG Anti-VHD positivo + AgHBs positivo Infeção crónica A prevenção faz-se vacinando para o VHB.
CURA
90-95%
5-10%
Hepatite B aguda
Infecção crónica
- Fase imunotolerante - Hepatite crónica AgHBe positiva - Hepatite crónica AgHBe negativa - Portador inactivo - bom prognóstico
Cirrose Carcinoma

FÍGADO