Hepatite A e Hepatite E

HEPATITE A. O QUE É?

A hepatite A é uma infecção do fígado causada pelo vírus da Hepatite A - VHA. É uma infecção aguda quase sempre auto-limitada, isto é, evolui para a cura sem o recurso de nenhum medicamento nem nenhuma atitude particular. Nunca evolui para Hepatite Crónica. Muito raramente a Hepatite A evolui para uma forma grave de hepatite - Hepatite Fulminante.
A HEPATITE A É MUITO FREQUENTE? A hepatite A é causada pelo vírus mais frequente no mundo. No continente Asiático, Africano e, na América do Sul, aos 5 anos de idade mais de 90% das crianças já foram infectadas. Nos países desenvolvidos a doença é menos frequente e, o contágio dá-se mais tarde, com frequência, durante uma viagem aos países em desenvolvimento. Em Portugal no início da década de 1980 a nossa situação era semelhante à dos países em desenvolvimento: a hepatite A adquiria-se na infância e aos 15 anos 93% da nossa população já tinha tido a doença. Com a melhoria das condições sanitárias o panorama modificou-se: Em 1995, pelo menos em algumas áreas urbanas, apenas 43% da população com 25 anos de idade tinha tido contacto com o vírus da hepatite A.
COMO SE TRANSMITE A HEPATITE A? A transmissão é fecal-oral. O vírus é eliminado pelas fezes, sendo já encontrado nas fezes 3 semanas antes de começarem os sintomas. Os alimentos sobretudo os alimentos crus podem estar contaminados au serem lavados com água contaminada ou, manipulados por pessoas com hepatite A. O marisco - ostras, mexilhões, amêijoas - provenientes de viveiros contaminados por esgotos, tem a capacidade de concentrar o vírus presente na água e, são um frequente meio de transmissão. Outros tipos de transmissão da Hepatite A, através da transfusão de sangue, ou através das relações sexuais é possível, mas é muito rara. Não há transmissão da mãe para o filho.
QUAIS OS SINTOMAS DA HEPATITE A? Na maior pare dos casos a Hepatite A não provoca sintomas. Nalguns casos, apenas há mau estado geral, dor de cabeça, dor abdominal, febre não muito alta, falta de apetite, náuseas, vómitos. Ocasionalmente o aumento da bilirrubina no sangue, causa icterícia, a branca dos olhos (esclerótica) fica amarela, e a sua excreção pelo rim dá à urina a cor de Vinho de Porto, (chá forte ou coca-cola) e a sua ausência no intestino deixa as fezes brancas, como a massa de vidraceiro.
COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO? Não há sintomas específicos da hepatite A mas, o médico, tem meios para fazer o diagnóstico. A análise do sangue mostra as transaminases a bilirrubina elevadas, o que nos indica que há uma alteração do fígado. A determinação dos anticorpos no sangue estabelecem com certeza o diagnóstico (IgM anti-VHA). Na maior parte dos casos não existem sintomas ou, são tão ligeiros, que a doença passa desapercebida. Anos mais tarde, a pesquisa de anticorpos (IgG anti-VHA positivo e ausência de IgM anti-VHA), vem-nos dizer que já tivemos hepatite A, facto que desconhecíamos totalmente ou diz-nos que fomos vacinados .
COMO SE TRATA A HEPATITE A? É um assunto ainda cheio de mitos, tabus e falsas crenças. A Hepatite A não tem nenhum tratamento específico. É necessário aliviar os sintomas: as náuseas poderão ser aliviadas com uma dieta pobre em gorduras e se houver vómito o alívio obtém-se com um anti-emético. SE houver cefaleias ou febre pode utilizar-se o paracetamol mas sem ultrapassar as 4 g/dia. Raramente se justifica a hospitalização. As dietas, os polivitaminicos, e os anti-virais, muito utilizados, não têm nenhuma justificação. São uma inutilidade. Se durante a fase aguda da doença houver, intolerância às gorduras, suprimem-se durante alguns dias. O exercício moderado é aconselhável. Deve haver abstinência de álcool até à cura clínica e bioquímica. Com frequência a Hepatite A passa desapercebida e só anos mais tarde o médico nos diz que tivemos Hepatite A, porque se pediram análises, e o anti-corpo IgG indica que já tivemos uma Hepatite A. Muito raramente, a Hepatite A, pode evoluir para Hepatite Fulminante, uma situação grave com mortalidade elevada mas, felizmente, muito rara. Nestes casos o transplante do fígado pode ser necessário. Em mais de 99% dos casos a Hepatite A evolui para a cura total.
As fezes têm aspecto de massa de vidraceiro
Fonte OMS
Vírus da Hepatite A
VACINA DA HEPATITE A A vacina da Hepatite A contém o vírus da Hepatite A inactivado (não transmite a doença) e, induz na pessoa vacinada à produção de anticorpos contra o vírus. Em Portugal há dois tipos de vacina: uma que só previne a infecção causada pelo vírus da Hepatite A e outra, chamada vacina combinada, que também contem o vírus da Hepatite B inactivado, protegendo igualmente contra a Hepatite B. Ambas as vacinas são administradas por via intramuscular e podem ser dadas a adultos e a crianças (estas tomam metade da dose do adulto). No caso da vacina só contra a Hepatite A , depois da primeira dose é feito reforço após 6 a 12 meses. Na vacina combinada são feitas três doses, sendo a segunda dose dada 1 mês após a primeira e a última dose 6 meses após a primeira administração. Os efeitos secundários da vacina são raros e geralmente ligeiros. A dor, vermelhidão e “inchaço” no local da picada desaparece espontaneamente. Pode provocar também sintomas semelhantes aos da gripe (dor de cabeça, febre, arrepios, dores nos músculos e articulações) mas habitualmente só duram um dia. Raramente origina diarreia ou urticaria. A vacina para a Hepatite A é tão eficaz que habitualmente não é preciso avaliar a sua eficácia.

OUTROS sites SOBRE HEPATITE A:

Em português no site brasileiro, ABS da Saúde: hepatite A Em inglês no site americano Family Doctor: hepatitis A.

FÍGADO

Maurice Ralph Hillemn,(1918- 2005) biólogo americano que desenvolveu entre outras a vacina da hepatite A e B.