Quístos do fígado
QUISTOS DO FÍGADO E VIAS BILIARES
O diagnóstico dos quistos ou cistos do fígado é frequente desde que a Ecografia (ultra-sonografia) se tornou um
exame de rotina.
O QUE É UM QUISTO?
O quisto ou cisto é uma cavidade que encerra no seu interior uma substância que pode ser ar ou líquido ou semil-
líquido. A maior parte destas formações não são tumores. Podem encontrar-se quistos em todos os órgão e tecidos
do organismo - os quistos do fígado, os quistos do ovário, os quistos dermóides, os quistos da mama, os quistos
sebáceos são os mais conhecidos do público não médico mas há muitos mais.
No fígado distinguimos quatro tipos de quistos:
1- Congénitos, de longe os mais frequentes e quase sempre sem significado clínico.
2- Parasitários, o quisto hidático é muito frequente no Alentejo.
3- Neoplasicos (tumorais) muito, muito raros.
4- Traumáticos.
Nas vias biliares os quistos são anomalias congénitas raras. As formações quísticas das vias biliares intra-hepáticas
são conhecidas por Doença de Caroli em homenagem ao hepatologista francês Jackes Caroli (1902-1979) que em
1958 descreveu esta rara doença. As formações quísticas das vias biliares extra-hepáticas têm quase
sempre um óptimo prognostico.
Apenas merecem ser aqui referidos os quistos congénitos do fígado, e o quisto hidático frequente no
Alentejo por causa dos rebanhos. Todas as outras situações são muito raras.
QUISTOS CONGÉNITOS DO FÍGADO
1- São também designados por quistos simples, e
atingem mais de de 3% da população. Com a generalização da
ecografia e também do TAC o seu diagnóstico é muito frequente.
Geralmente têm poucos milímetros mas podem atingir 20 cm. Em
Mais de 50% dos casos são solitários. Se forem de grandes
dimensões podem causar dor ou desconforto mas são, quase sempre,
assintomáticos. Geralmente são descobertos incidentalmente pela
ecografia em pessoas a quem foi pedido este exame por terem dor
abdominal ou epigástrica de causa não esclarecida. A repetição
periódica da ecografia é uma inutilidade. Não requerem nenhum
tratamento a não ser nos casos raros, raríssimos, em que o quisto tem grandes dimensões.
2- A Doença Poliquistica do Fígado isolada ou associada à Doença
Poliquistica do Rim é uma doença hereditária autosómica dominante
relacionada com a mutação dum gene do cromossoma 16 e 4 no
caso de estar associada ou do cromossoma 19 nos casos em que
aparece sem associação ao rim. Os quistos são múltiplos e podem ir
de poucos milímetros até 20 cm. Em cerca de 10% dos casos podem
aparecer complicações sobretudo se houver grandes quistos:
hemorragia, infecção ou rotura.
Poucas vezes tem que se recorrer à cirurgia e muito raramente é
necessário o transplante do fígado.
Fígado com centenas de pequenos quistos
QUISTO HIDÁTICO
FÍGADO