Doença celiaca

DOENÇA CELÍACA. O QUE È?

A Doença Celíaca também conhecida por Enteropatia do glúten é

causada pela acção agressiva do glúten, sobre a mucosa do

Intestino Delgado. O glúten é uma proteína que se encontra na

farinha de trigo, centeio, cevada e aveia. O glúten representa 80%

das proteínas do trigo e é composta por gliadina e glutenina. O

milho e o arroz não possuem glúten. Factores genéticos, ambientais

e imunológicos, predispõem a mucosa do intestino a alterar-se, a

perder as vilosidades e a ficar plana, achatada, quando o glúten é

ingerido, havendo recuperação logo que o glúten seja retirado da

dieta.

A DOENÇA CELÍACA É FREQUENTE?

Pensava-se que a Doença Celíaca era pouco frequente. Hoje sabemos que por vezes os sintomas são muito ligeiros e a doença não é diagnosticada. Distinguem-se 4 apresentações: 1- Típica 2- Atípica 3- Assintomática e 4- Lactente. Calcula-se que estará afectado 1 em cada 300 indivíduos. Assim, no Algarve, haverá cerca de 150 pessoas com Doença Celíaca. Os dois sexos são igualmente atingidos com ligeira predominância para o feminino.

COMO SE TRANSMITE?

Doença Celíaca é uma doença hereditária mas, a forma de transmissão, é ainda desconhecida. A doença aparece em cerca de 10 % dos familiares em 1º grau do doente.

COMO SE MANIFESTA?

A capacidade de absorção no Intestino Delgado está diminuída, facto comum a muitas doenças que provocam má absorção. A diarreia (por vezes as fezes são volumosas, brilhantes e muito mal cheirosas devida ao conteúdo em gorduras - esteatorreia ) e a perda de peso são dois sintomas muito importantes. Mas hoje sabemos que nos adultos muitas vezes o sintomas são atípicos com diarreia esporádica, sem perda de peso, Por vezes a diarreia alterna com prisão de ventre e os sintomas mais incomodativos são a dor e a distensão abdominal e os sintomas relacionados com perdas iónicas: perdas de cálcio que levam a dores ósseas e cãibras e perdas de magnésio e potássio que causam inchaço ( edema ) dos membros, tremores, formigueiros e diminuição da sensibilidade das mãos e dos pés, alterações do ciclo menstrual. A anemia por carência de ferro pode ser a maneira como a doença se manifesta. Nas crianças, a diarreia, a perda de peso, vómitos, irritabilidade... podem aparecer logo que na dieta se introduzem alimentos com glúten. Mas, por vezes, os sintomas aparecem mais tarde ou só na idade adulta. Cerca de 40% dos indivíduos com testes serológicos positivos nunca apresentam sintomas ou os sintomas são tão ligeiros que o diagnóstico nunca é pensado. Na maior parte dos adultos, passam mais de 10 anos, com sintomas, até que seja feito um diagnóstico correcto.

COMO SE FAZ O DIAGNÓSTICO?

A anemia feropénica é uma manifestação frequente. Se a extensão da doença atingir as partes distais do intestino delgado pode aparecer anemia megaloblástica por má absorção da vitamina B12. A osteoporose o aumento do tempo de protrombina reflectem alterações na absorção do cálcio, vitamina D e vitamina A. O cálcio e a fosfatase alcalina podem estar elevados. Mas os testes serológicos devem ser realizados sempre que há suspeita de Doença Celiaca: o anticorpo anti- endomisio e o anticorpo anti-tTG, qualquer deles tem uma sensibilidade e especificidade superior a 90%: Como estes anticorpos são da classe IgA e 3% dos doentes com Doença Celíaca têm deficiência de IgA deve fazer-se uma determinação da IgA. Nos doentes com deficiência de IgA deve fazer-se o anticorpo IgG: tTg e endomisio. 6 a 12 meses depois de iniciar a dieta sem glúten os anticorpos não se detectam. A biopsia do duodeno distal feita durante a Endoscopia Alta é útil para suspeitar o diagnóstico e o confirmar com retorno da mucosa à normalidade depois duma dieta sem glúten. Mas, se a biopsia é compatível com Doença Celiaca e são evidentes as melhoras com a dieta sem glúten e, há uma evidente diminuição dos anticorpos, não é indispensável fazer nova biopsia .

COMO SE FAZ O TRATAMENTO?

É essencial fazer uma dieta sem glúten. Os suplementos de ferro, folato, cálcio e vitaminas: A, B12, D e E são necessários no inicio do tratamento mas deixam de o ser logo que se normalize a absorção. Quando há uma boa resposta à dieta sem glúten o prognóstico da doença é bom. Se durante o tratamento a resposta for má ou houver emagrecimento ou dor abdominal deve procurar-se uma possível complicação que exija um tratamento diferente.